Resenha: Aniquilação, de Jeff Vandermeer

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Livro: Aniquilação
Autor: Jeff Vandermeer
Editora: Intrínseca
Ano: 2014
Páginas: 200
Avaliação: ★★★★✰
Sinopse: “Aniquilação, o primeiro livro da trilogia Comando Sul, apresenta um grupo de quatro mulheres enviadas para a Área X, um lugar incompreensível e isolado do restante do mundo há décadas, onde a natureza tomou para si os últimos vestígios da presença humana. Elas fazem parte da décima segunda expedição ao local, cujos objetivos são explorar o terreno desconhecido, tomar nota de todas as mudanças ambientais, monitorar as relações entre elas próprias e, acima de tudo, não se contaminarem. Uma missão mortal, visto que todas as expedições anteriores tiveram resultados assustadores, como suicídios em massa, tiroteios descontrolados e casos de mudança de personalidade súbita seguidos de morte por câncer. As mulheres partiram para a Área X esperando o inesperado… e foi exatamente isso que encontram.”

A resenha:
O livro é o primeiro da Trilogia Comando Sul, conta a história de uma bióloga que vai para uma expedição na Área X, com mais três acompanhantes, uma psicóloga, uma topógrafa e uma antropóloga. A princípio, na equipe também tinha uma linguista, mas ela desistiu ainda no recrutamento da expedição e o real motivo não foi revelado.
O recrutamento para a expedição é voluntário, portanto todas as pessoas passam por uma bateria de testes antes de serem enviadas à Área X. O dever de cada uma é anotar no diário de bordo tudo o que foi visto na expedição, a análise das outras integrantes do grupo, do meio ambiente e seus sentimentos. Nenhuma das integrantes sabe o nome das outras, mas sabem que devem ficar sempre unidas e confiar no grupo.
A Área X é um lugar isolado, as pessoas não podem ter contato com o mundo exterior, não podem se comunicar de qualquer forma com o mundo além da fronteira. Tudo o que elas possuem é um dispositivo preso ao cinto que emite uma luz vermelha quando há risco, mapas, alimentos, armas de defesa e barracas para serem instaladas no acampamento instalaram no meio da mata.
A bióloga, como todas as demais, observaram que havia um grande destaque em todos os mapas sobre um farol, no centro da Área X. E após de instalarem, decidiram procurar o farol, para que pudessem descobrir o motivo de seu destaque no mapa. Entretanto, elas descobrem uma torre que não foi registrada e mencionada em nenhum lugar.
Após um longo debate, elas decidem entrar na torre para saber o que há lá dentro e descobrem que em suas paredes há palavras escritas com organismos vivos que emitem luz, escritos há pouco tempo, deixando a possibilidade de terem sido escritas antes delas chegarem impossível.
“As sombras do abismo são como pétalas de uma flor monstruosa que desabrochará dentro do crânio e expandirá a mente para além do que qualquer homem pode suportar.”
Elas não eram as primeiras a se voluntariarem para a expedição, antes delas onze grupos já tinham sido recrutados. E no último grupo recrutado antes, estava o marido da bióloga, que era médico.
O farol deixou de ser o foco do grupo, elas estavam curiosas sobre tudo o que havia na torre. Elas conversam e decidem que no dia seguinte todas entrarão novamente na torre para descobrir o que havia lá dentro e coletar dados. Entretanto, acontecimentos estranhos começam a surgir, durante a madrugada uma das integrantes desce sozinha até lá e não volta; e a psicóloga deixa com que as outras percebam que ela as hipnotiza.
Tudo na Área é estranhamente vivo, não por se tratar de natureza ou meio ambiente, tudo parece humano. Apesar de nada habitar ali durante décadas.
Discussões começam a surgir, desconfiança e medo tomam conta do grupo, há barulhos incompreensíveis rondando o acampamento. Elas percebem que há um motivo maior que a própria expedição de elas estarem ali. O farol é absurdamente encantador, como se toda a atenção delas estivessem voltadas involuntariamente para ele.
A bióloga começa um diálogo interior, sobre sua vida e seu marido. Começa a lembrar da infância e de tudo o que viveu enquanto era casada. Mas talvez as lembranças de antes da fronteira não sejam tão reais.
O que ela sabe é que ninguém voltou da expedição, não em perfeitas condições de saúde física e psicológica. Todos que conseguiram retornar não se lembravam como chegaram em casa e após algum tempo, desapareciam ou morriam, ou não conseguiam se integrar novamente na sociedade.
Surge a pergunta: a psicóloga é responsável pelo desaparecimento da integrante? Até que ponto elas são hipnotizadas? Elas podem confiar uma nas outras? Quem escreveu na torre? Qual é o real motivo de elas ainda serem enviadas senão o recrutamento? Existe mesmo uma fronteira? Existe o fim da expedição?
Em todo o livro pode-se perceber que o intuito do autor foi dar um tom de suspense e terror no livro, e ele conseguiu. Embora a história seja escrita em sua maior parte com palavras específicas da área biológica, não é difícil entender o que ele deseja passar, a menos que o leitor queira saber exatamente do que se trata, o recurso de pesquisa junto a leitura é dispensável.
É notável que todo o livro é uma espécie de diário de bordo da bióloga e talvez este seja o motivo das palavras específicas. A história é rica em detalhes, mas isto não torna a leitura cansativa. Talvez o único ponto negativo é que há muito mais trechos sobre o marido médico da bióloga, que participou da expedição anterior, do que é realmente necessário.
Posso comparar o livro com os filmes de terror japonês, porque a princípio, em nenhum momento o autor menciona o que realmente causa o medo entre as integrantes do grupo, e isso causa certa apreensão durante a leitura.
O livro, por ser o primeiro de uma trilogia, não é conclusivo, portanto a leitura mesmo depois de terminada, ainda deixa algumas interrogações. Mas nada que faça diminuir o interesse no restante dos livros que ainda serão lançados.
Acredito que na continuação, o autor passe mais detalhes sobre a bióloga, que no caso, é a personagem principal.
Embora eu tenha realmente sentido pavor durante a leitura, quero ler os próximos livros.


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